Amanda Wilmsen

Amanda Wilmsen
Engenheira de Software

Conquistou os prêmios "Prêmio Especial Marielle Franco por protagonismo feminino" durante o FECEA-RS, Festival Internacional de Cinema Escolar de Alvorada, e "Destaque Mostra Ensino Médio", durante o Festival de Cinema de Guaíba.

Entrevista com Amanda Wilmsen: Desafios e Conquistas na Engenharia

Tivemos a oportunidade de conversar com Amanda Wilmsen, engenheira e referência na área, para falar sobre a presença feminina na engenharia, um campo historicamente dominado por homens. Com uma trajetória marcada por resiliência, competência e paixão pela profissão, Amanda compartilhou experiências pessoais e reflexões importantes sobre o papel das mulheres nesse setor.

Quando e como você decidiu esse curso?

“Desde cedo tive contato com a tecnologia por meio da robótica educacional, e isso despertou em mim uma paixão tanto pelo desenvolvimento de software quanto pelo impacto social que a tecnologia pode ter. Aos 14 anos entrei para uma equipe de robótica da categoria FIRST Robotics Competition - o maior desafio de robótica do mundo a nível de ensino médio - e, a partir dessa experiência, percebi que queria algo que unisse lógica, criatividade e propósito.”

Durante a sua graduação você encontrou alguma dificuldade?

“Sim. Especialmente no primeiro semestre, foi desafiador ter contato com tantos conceitos complexos e totalmente novos, mas fundamentais para a formação em Engenharia de Software. Além disso, a maior dificuldade foi ser uma das únicas mulheres no curso. Isso gera um sentimento constante de isolamento e pressão para se provar, o que me levou a trabalhar muito minha autoconfiança e buscar construir espaços mais inclusivos dentro e fora da universidade, como comunidades voltadas a mulheres estudantes de engenharia, por exemplo.”

Você teve alguma reação da sua família? (apoio ou críticas)

“Fui e sou muito incentivada. Meu dindo, que é engenheiro mecânico, sempre me estimulou a seguir uma carreira técnica e acreditou no meu potencial desde o início. Minha mãe e minha avó, que me criaram e são professoras, foram meus primeiros grandes exemplos de liderança feminina e dedicação à educação. Sempre me disseram que eu podia ocupar qualquer espaço — e isso foi essencial para que eu me sentisse segura em seguir meus sonhos, mesmo em ambientes predominantemente masculinos.”

No mercado de trabalho, qual foi seu maior obstáculo?

“Acredito que meu maior obstáculo foi superar a síndrome do impostor e me sentir confiante o suficiente para me colocar como uma profissional capacitada. Assim como na faculdade, o mercado de tecnologia ainda é majoritariamente masculino, o que muitas vezes gera um sentimento de não pertencimento — especialmente para mulheres que estão no início da carreira. Já participei de entrevistas técnicas bastante difíceis, em que o ambiente era intimidador, com perguntas desnecessariamente agressivas ou com uma postura que testava mais minha resistência emocional do que meu conhecimento técnico. Com o tempo, a experiência e o apoio de outras mulheres na área, fui aprendendo a lidar melhor com essas situações, a valorizar minha trajetória e a me posicionar com mais firmeza e confiança. Hoje, tenho consciência do meu valor e faço questão de abrir caminhos para que outras meninas também se sintam pertencentes e acolhidas nesse meio."

Nas áreas em que você trabalhou, como era o ambiente? Era receptivo?

“Felizmente, nas empresas em que trabalhei encontrei ambientes colaborativos, com colegas dispostos a ajudar e compartilhar conhecimento. Ainda assim, especialmente no início da carreira, percebi que mulheres na tecnologia muitas vezes precisam se provar mais para serem levadas a sério. Em reuniões técnicas, por exemplo, já senti a necessidade de reforçar minhas ideias com mais embasamento do que colegas homens, apenas para ganhar o mesmo nível de atenção. Esse tipo de vivência me motivou ainda mais a ocupar espaços, levantar a voz e contribuir para a construção de ambientes mais inclusivos. Na SAP, tive a oportunidade de me conectar com o BWN (Business Women’s Network), uma rede global de apoio a mulheres dentro da empresa. Participar dessa comunidade foi fundamental para o meu desenvolvimento pessoal e profissional — Esses espaços de apoio fazem toda a diferença para que mais mulheres não apenas entrem, mas permaneçam e cresçam na área de tecnologia.”