Dados e Estatísticas
Dados Atuais de Entrada e Evasão Feminina na Engenharia (2023-2024)

Apesar dos avanços, os dados mostram que as mulheres ainda enfrentam desafios semelhantes aos do século XIX – como pressão social, divisão desigual do trabalho doméstico e ambientes hostis –, que impactam sua entrada e permanência na engenharia.

• Ingresso nas Universidades

Brasil: Apenas 22% dos matriculados em cursos de engenharia são mulheres (INEP, 2023). Áreas com maior participação feminina: Engenharia Química (40%), Ambiental (35%). Áreas com menor participação: Mecânica (12%), Elétrica (15%).

EUA: Mulheres representam 21% dos graduandos em engenharia (NSF, 2023). Em computação, houve queda de participação feminina (de 37% nos anos 1980 para 19% hoje).

Europa: Países nórdicos têm as melhores taxas (Suécia: 30%), enquanto na Alemanha e Áustria não passam de 18% (Eurostat, 2023).

• Evasão Durante o Curso

Brasil: A taxa de desistência entre mulheres em engenharia chega a 50% (vs. 35% entre homens), segundo o MEC. Principais motivos: Dificuldade de conciliar estudos e tarefas domésticas (63% das evadidas citam essa razão, pesquisa CNE, 2022). Falta de apoio em ambientes majoritariamente masculinos (assédio, desvalorização).

EUA/Europa: 40% das mulheres que entram em STEM abandonam antes de se formar (UNESCO, 2023). Nos EUA, 1 em cada 3 engenheiras deixa a profissão após 5 anos (SWE, 2023).

• Mercado de Trabalho (Pós-Formação)

→ Apenas 13% dos profissionais ativos em engenharia no Brasil são mulheres (CREA, 2023).

→ Salários 15-20% menores que os dos homens na mesma função (DIEESE, 2023).

→ Menos de 10% ocupam cargos de liderança em grandes empresas de tecnologia e construção.

Os dados atuais mostram que, apesar das mudanças sociais, as barreiras estruturais continuam as mesmas:

Como a pressão social e estereótipos de gênero. No século XIX, as mulheres eram consideradas "incapazes" para ciências exatas. hoje, meninas são menos incentivadas a seguir exatas desde a escola.

A dupla jornada (trabalho doméstico não remunerado): No século XIX, mulheres eram confinadas ao lar, sem tempo para estudo, hoje, mulheres dedicam 2 vezes mais tempo a tarefas domésticas que homens (IBGE, 2023). Mães engenheiras têm 3 vezes mais chances de abandonar a carreira que o pai (MIT, 2022).

O ambiente hostil e falta de apoio: No século XIX, universidades e empresas barravam mulheres, hoje, 56% das engenheiras relatam assédio ou discriminação no trabalho (PwC, 2023). Falta de creches e políticas de maternidade em empresas de engenharia.

Dados atuais

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2024, a taxa de ocupação das mulheres no Brasil foi de 52,7%, um valor que caiu em relação ao período pré-pandemia (2019), quando estava em 54,33%. Globalmente, a taxa de emprego das mulheres em idade ativa é de 46,4%, enquanto a dos homens é de 69,5%. Por meio dessa análise, verifica-se que as mulheres recebem apenas 79,3% do salário de homens (20,7% a menos), mesmo quando desempenham o mesmo cargo e têm a mesma qualificação. Mas, segundo a Agência IBGE de 2024, a proporção de trabalhadores em ocupações por tempo parcial é maior entre as mulheres (28,2%) do que entre os homens (14,1%). Em 2022, por exemplo, 28,0% das mulheres ocupadas trabalhavam em tempo parcial, enquanto essa proporção era de 14,4% entre os homens. Estas estatísticas podem estar relacionadas a maioria do tempo dedicado pelas mulheres serem aos cuidados com a família e aos afazeres domésticos.

Apesar dos avanços, a desigualdade persiste, especialmente em áreas como mecânica e elétrica. Aumentar a representatividade feminina na engenharia ainda é um desafio global.